terça-feira, 13 de setembro de 2011


A Mão...

A mãe pediu aos seus filhos que desenhassem alguma coisa que desejassem receber de presente. Antes de os desenhos serem entregues, ela já tinha certeza do que iria receber: carrinhos elétricos, patinetes, bonecas...

E aconteceu como o previsto.

Entretanto no meio de tantos desenhos, ela encontrou um que era diferente de todos os demais.
- Quem fez isso?

O filho caçula levantou o braço.
- Mas isso é apenas o contorno de uma simples mão!

O menino não respondeu nada.

A mãe aproveitou a ocasião para perguntar aos outros filhos como eles interpretavam aquele desenho
- Acho que é a mão de Deus nos dando comida - disse um deles.

- Um fabricante de brinquedos -- disse outro - Porque tem muitas encomendas de Papai Noel nesta época do ano.

Finalmente, depois de uma séries de respostas, ela se aproximou do menino e perguntou de quem era a mão que desenhara.
- É a sua.

Ela então se lembrou de quantas vezes tinha levado o menino pela mão. Embora fizesse o mesmo com as outras crianças, talvez aquilo significasse muito para ele.
- Nunca tinha pensado que minha mão fosse tão importante - comentou, meio sem graça.

- Por favor faça com que ela continue trabalhando também durante o próximo ano - respondeu o menino, também meio sem jeito. - Eu preciso dela. Quero ter o mesmo presente no Natal do ano que vem.

 Os semeadores 

Damião é um humilde lavrador, proprietário de um diminuto quinhão de terra. Quando os primeiros fulgores da aurora rompem o espaço, diluindo as derradeiras sombras da noite, ele já está de pé, aguardando apenas que a luz do sol abra de uma vez as portas do novo dia, para que ele possa dar continuidade ao sagrado mister de lavrar a terra.

Dias antes a terra foi arada, depois uma chuva macia caiu como uma dádiva para umedecer o solo ressequido. Agora era só plantar, lançando a semente sobre o campo, para que a natureza, com seus dons prodigiosos, ajudasse como por encanto fazer crescer as plantas e produzir a valiosa messe.

De todo o mantimento que viesse a ser colhido, apenas uma ínfima parte seria destinada e consumida pela família de Damião. Por isso, ele não semeava somente para si, plantava também para que o próximo pudesse comprar o seu alimento. Esse é o valor de quem semeia, não só a terra franca e boa, mas todas as coisas virtuosas do mundo.

À tarde, quando o sol declina no horizonte e cerra as cortinas de mais um dia que passa, Damião retorna cansado ao lar para o justo repouso, levando no peito a satisfação e a ventura dos que edificam as boas coisas, a esperança de conseguir a colheita compensadora que a terra fértil lhe dará em breve.

Assim são os bons semeadores!
A cada semeadura realizada, quer na terra produtiva do campo imenso ou no campo da inteligência e do coração dos homens - onde se pode semear a palavra do amor, da paz que edifica, da fé que fortalece, da ciência que esclarece a mente - deixam eles sempre as boas sementes germinando para o bem da comunidade e, dentro da sua alma, uma grandiosa expectativa também cresce no sonho alentador de ver concretizada a sua obra, porque para os semeadores, ver germinar as sementes que lançaram já é sentir o sabor da felicidade.

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