terça-feira, 13 de setembro de 2011


Descontrole
Naquele dia de sol, Mário chegou feliz e estacionou o reluzente caminhão em frente à porta de sua casa. Após 20 anos de muita economia e intenso trabalho, sacrificando dias de repouso e lazer, ele conseguiu: Comprou um caminhão.

Orgulhoso, entrou em casa e chamou a esposa para ver a sua aquisição. A partir de agora, seria seu próprio patrão.

Ao chegar próximo do caminhão, uma cena o deixou descontrolado. Seu filho de apenas 6 anos estava martelando alegremente a lataria do caminhão.

Irritado e aos berros, ele investiu contra o filho. Tomou o martelo das mãos dele e, totalmente fora de controle, martelou as mãozinhas do garoto.

Sem entender o que estava acontecendo, o menino se pôs a chorar de dor, enquanto a mãe interferiu e retirou o pequeno da cena.

Na seqüência, ela trouxe o marido de volta à realidade e juntos levaram o filho ao hospital, para fazer curativos.

O que imaginavam, no entanto, fosse simples, descobriram ser muito grave. As marteladas nas frágeis mãozinhas tinham feito tal estrago que o garoto foi encaminhado para cirurgia imediata.

Passadas várias horas, o cirurgião veio ao encontro dos pais e lhes informou que as dilacerações tinham sido de grande extensão e os dedinhos tiveram que ser amputados.

De resto, falou o médico, a criança era forte e tinha resistido bem ao ato cirúrgico. Os pais poderiam aguarda-lo no quarto para onde logo mais seria conduzido.

Com um aperto no coração, os pais esperaram que a criança despertasse. Quando, finalmente, abriu os olhos e viu o pai o menino abriu um sorriso e falou:

"Papai, me desculpe, eu só queria consertar o seu caminhão, como você me ensinou outro dia. Não fique bravo comigo."

O pai, com lágrimas a escorrer pela face, em desconsolo, se aproximou mais e lhe disse que não tinha importância o que ele havia feito. Mesmo porque, a lataria do caminhão nem tinha sido estragada.

O menino insistiu: "quer dizer que não está mais bravo comigo?"

"Não, mesmo", falou o pai.
"Então", perguntou o garoto, "se estou perdoado, quando é que meus dedinhos vão nascer de novo?"
Perder alguém querido
Não há palavras para expressá-la. Não há livro que a descreva. Por isso, o melhor jeito de consolar é falar um pouco, sentir junto e estar presente, cada um do jeito que sabe.

Palavras não explicam a morte de alguém querido. Sabem disso o pai, a mãe, os filhos, os irmãos, o namorado e a namorada, o marido e a mulher, amigos de verdade.

Quando o outro morre, parte do mistério da vida vai com ele. O sofrimento permanece com quem fica...



Sob a luz da escuridão
Nas famosas fábricas de renda da Bélgica, há uma sala especialmente reservada onde se tecem os desenhos mais finos e delicados. É uma sala escura... A única luz que ali entra vem de uma janela pequenina e incide diretamente sobre o modelo da renda.
Na sala, há somente um artesão, que fica sentado exatamente onde a estreita faixa de luz ilumina as linhas com que trabalha.
- É assim que obtemos os nossos melhores produtos - disse-nos o guia.
- A renda será sempre mais delicada, na confecção e no desenho, se o artesão estiver no escuro e se apenas o material for iluminado - complementa.

Não se dará o mesmo com a nossa vida? Às vezes, tudo ao nosso redor está muito escuro e não podemos entender o que estamos fazendo. Não vemos o que está sendo produzido.

É muito comum não sermos capazes de descobrir nenhuma beleza ou nada de bom em nossa existência. Mas, se formos fiéis e não desanimarmos, um dia veremos que o mais fino e delicado trabalho de toda a nossa vida foi feito naqueles momentos de grande turbulência e nuvens negras...

Se você está em profunda escuridão, não tenha medo. Simplesmente prossiga com fé e amor, sem duvidar. Alguma coisa bela e boa virá de todo o seu sofrimento e lágrimas. As mais belas rendas de nossas vidas são tecidas nos momentos de dúvidas, fraquezas e escuridão!

Nunca duvide disso! 

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