terça-feira, 13 de setembro de 2011


 Estacas mentais 

Uma caravana de camelos atravessava o deserto.

Chegou a hora do descanso e o cameleiro preparava-se como habitualmente para prender os camelos às estacas quando verificou que faltava uma estaca .

Não sabendo como resolver o problema, perguntou ao mestre da caravana:
- Mestre, falta-me uma estaca para um camelo. Como fazer?
- Não tenhas problema. Eles estão tão habituados a ficar presos que se tu fingires que o atas com a corda, ele pensará que está preso e nem sequer tentará sair do sitio.

O cameleiro assim fez e o camelo ali ficou toda a noite.

No dia seguinte quando se preparavam para partir esse camelo simplesmente recusou-se a sair do sítio, mesmo quando o cameleiro o puxava com toda a força. Sem saber que atitude tomar, dirigiu-se de novo ao mestre contando-lhe o sucedido.
- Homem, respondeu-lhe o mestre. Que fizeste ontem? Não fingiste que o ataste à estaca? Então faz o mesmo hoje. Finge que o desamarras. O camelo, mal o cameleiro fingiu que o desatava da estaca imaginária, recomeçou a caminhada.

Moral da história:
Muitas vezes não avançamos devido às nossas "estacas mentais".

É o desconforto da acomodação.

    A verdade e a parábola                                 

Um dia, a Verdade andava visitando os homens sem roupas e sem adornos, tão nua quanto o seu nome. E todos os que a viam viravam-lhe as costas de vergonha ou de medo e ninguém lhe dava as boas vindas. Assim a Verdade percorria os confins da
Terra, rejeitada e desprezada.

Numa tarde, muito desolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, num traje belo e muito colorido.

- Verdade, porque estás tão abatida? - perguntou a Parábola.

- Porque devo ser muito feia já que os homens me evitam tanto!

- Que disparate - riu a Parábola - não é por isso que os homens te evitam. Toma, veste algumas das minhas roupas e vê o que acontece.

Então a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola e, de repente, por toda a parte onde passava era bem vinda.

Então a Parábola falou:

- A verdade é que os homens não gostam de encarar a Verdade nua; eles a preferem disfarçada...!

       O Penteado

- Por que há de você perder seu bom humor, torcendo seu cabelo nessa barafunda? - perguntou meu pai quando me encontrou chorando de raiva porque eu era muito menina e não tinha a habilidade necessária para fazer o penteado em moda nos meus tempos de colégio.

- É moda! - lamentei-me. Só o meu nunca fica direito!

Olhando-me gravemente, papai sugeriu:

- Divida o cabelo ao meio, penteie-o para trás e amarre-o com uma fita.

Atendi-o, embora desajeitadamente. Ele acrescentou:

- Agora use-o assim durante uma semana, e, se metade das meninas de sua classe não copiarem de você, dou-lhe cem reais.

Pensei comigo que ele era incrivelmente ingênuo. Cem reais, entretanto, era um bom dinheiro a que não podia resistir.

Tivesse eu chegado à aula vestida com a camisola de dormir, minha agonia não teria sido maior. Mas, quando a semana acabou, quase todas as meninas de minha classe estavam usando o cabelo separado pelo meio, atado atrás com uma fita!

Quando narrei o sucedido a meu pai, ele comentou:

- Nunca tenha medo de uma idéia própria e, se ela for certa, siga para diante, sem se importar com o que faça toda a gente.

E, embora tivesse ganho a aposta, deu-me os cem reais.

Papai nunca poderia imaginar o quanto essa lição, tão simples, reforçou a minha personalidade e auxiliou-me, principalmente em situações em que, como sempre acontece, a pressão dos grupos ameaça anular-nos e nos converter em simples robôs.

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