terça-feira, 13 de setembro de 2011


Boas maneiras

A cansada ex-professora se aproximou do balcão do supermercado. Sua perna esquerda doía e ela esperava ter tomado todos os comprimidos do dia: para pressão alta, tonteira e um grande número de outras enfermidades.
- Graças a Deus eu me aposentei há vários anos - ela pensou. - Não tenho energia para ensinar hoje em dia.

Imediatamente antes de se formar a fila para o balcão, ela viu um rapaz com quatro crianças e uma esposa, ou namorada, grávida. A professora não pôde deixar de notar a tatuagem em seu pescoço.
- Ele esteve preso - pensou.

Continuou a observá-lo. Sua camiseta branca, cabelo raspado e calças largas levaram-na a conjeturar:
- Ele é membro de uma gangue.

A professora tentou deixar o homem passar na sua frente.
- Você pode ir primeiro - ofereceu.
- Não, a senhora primeiro - ele insistiu.
- Não, você está com mais gente - disse a professora.
- Devemos respeitar os mais velhos - defendeu-se o homem.

E, com isto, fez um gesto largo indicando o caminho para a mulher. Um breve sorriso brilhou em seus lábios enquanto ela mancou na frente dele. A professora que existia dentro dela não pôde desperdiçar o momento e, virando-se para ele, perguntou:
- Quem lhe ensinou boas maneiras?
- A senhora, Sra. Simpson, na terceira série.

O parafuso correto 

Algumas vezes é um erro julgar o valor de uma atividade simplesmente pelo tempo que se demora em realizá-la.

Um bom exemplo é o caso do expert que foi chamado para arrumar um computador muito grande e extremamente complexo... um computador de 12 milhões de dólares.

Sentado na frente do monitor, apertou umas quantas teclas, balançou a cabeça, murmurou algo para ele mesmo e apagou o equipamento.

Pegou uma pequena chave de fenda do bolso e deu uma volta e meia em um minúsculo parafuso.
Então, ligou o computador e comprovou que funcionava perfeitamente.

O presidente da empresa se mostrou surpreso e satisfeito. E se ofereceu para pagar o serviço à vista.
- Quanto te devo? - perguntou.
- São mil dólares pelo serviço.
- Mil dólares? Mil dólares por alguns minutos de trabalho? Mil dólares só para apertar um simples parafuso? Eu sei que meu computador vale 12 milhões de dólares, mas mil dólares é muito dinheiro. Pagarei somente se me mandares uma fatura detalhada que justifique o valor.

O especialista confirmou com a cabeça e foi embora...

Na manhã seguinte o presidente recebeu a fatura, a leu com cuidado, balançou a cabeça e a pagou no ato.
A fatura dizia:

SERVIÇOS PRESTADOS:
Apertar um parafuso ...................................... 1 dólar
Saber qual parafuso apertar............................... 999 dólares.

O quanto eu te amo?

Naquela manhã, Humberto foi ver o desenvolvimento da sua pequenina horta, onde havia plantado alguns pés de couve, cebolinha e almeirão. Apreciava verduras e por isso é que gostava de observar o seu crescimento, contar as novas folhinhas que surgiam... Enquanto olhava para elas, descobriu que algumas formigas estavam devorando várias das folhas mais tenras. À vista desse fato, indignado, ele resolveu espalhar um pouco de veneno aqui e acolá, para ver se exterminava esses insetos tão incômodos.

Feito isto, o menino assentou-se bem ao lado dos canteiros, a fim de constatar o resultado da sua ação. Mal acabou de se acomodar, quando notou o aparecimento de uma formiga. Esta parou junto ao discreto amontoado do veneno e comeu dele um bocado. Depois andou vagarosamente uma insignificante distância e parou. Quis andar um pouco mais; as perninhas, porém, recusavam-se a avançar. Caiu e ficou virada para cima. Estava mortinha. Ao vê-la tombada e inerte, disse o menino com seus botões:
- Bem feito! Você não poderá jamais voltar a minha horta, para devorar as folhas das verduras que plantei com tanto cuidado.

Não demorou muito tempo até que outra formiga apareceu, vindo do lado oposto. Ia passando pela companheira morta, mas parou quando a viu. Carregava uma folha às costas que, ao parar, deixou cair ao solo. Depois, com redobrado esforço, agarrou a companheira e passo a passo conduziu-a para o formigueiro. Naquele momento, Humberto sentiu na sua própria consciência uma acusação que o sentenciava:
- A formiga que você matou deu-lhe uma lição de vida, mostrando qual deve ser a sua atitude para com o seu próximo.

Sentiu-se envergonhado de si mesmo, embora certo de que as formigas são nocivas porque destroem as plantações. Mas foi esse incidente que o fez pensar nas muitas vezes quando havia passado ao lado de pessoas necessitadas, doentes, cansadas e aflitas, sem demonstrar o menor gesto de comiseração, deixando-as, portanto, entregues a si mesmas em suas misérias, tristezas e sofrimentos.

Foi, sem dúvida, um momento de profunda reflexão para o menino, agora cheio de recordações desagradáveis a respeito de seus gestos, suas ações e suas indiferenças. Ainda ao lado dos seus canteiros, Humberto parecia ouvir brotar subitamente do seu coração o eco da voz do Senhor Jesus a admoestá-lo:
- Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei. A esta recomendação de tão singular responsabilidade, o apóstolo Paulo faz coro, sugerindo também:
- Levai as cargas uns dos outros.

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