quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Valorizando a vida

Conta a lenda que um rico mandarim chinês encheu-se de tédio pela sua  vida faustosa e pelo seu poder sem limites. Nada mais despertava seu  interesse, não sentia 
prazer por coisa alguma. Seus desejos mal eram  formulados e já estavam realizados. Tinha perdido sua ligação com a vida e
não havia nele a vontade de viver.

Percebeu a insensatez e a inutilidade  de sua existência e temeu ficar louco. Para acabar com o sofrimento, o rico  mandarim ordenou ao seu barbeiro que, num dia qualquer, sem nenhum  aviso, ao fazer-lhe a barba, cortasse-lhe a garganta. Era uma ordem e  tinha de ser obedecida.

Nos primeiros dias, o mandarim se fez barbear com toda tranqüilidade, pois  não esperava que a ordem fosse cumprida de imediato, mas, à medida que  o tempo avançava, começou a se perguntar se o dia seria amanhã.
O mandarim passou então a viver cada dia como se fosse o último. Livre da  obrigação de viver, o rico mandarim se permitia ver como era lindo o  amanhecer, como eram diferentes os tons de verde dos seus campos,  como era alegre o canto dos pássaros e como eram belas as suas cores,  como eram imponentes e cheios de força os rios que cortavam suas  propriedades.

Viu também toda a beleza de uma tormenta, numa exibição  gratuita de energia e violência. Viu também que tinha um corpo e se deu  conta de que, só tendo um corpo capaz de sentir, podia viver a beleza da  vida. Por tudo isso valia a pena viver!

Agora o barbear era uma agonia e, embora tivesse dado uma  contra-ordem ao barbeiro, trocou de barbeiro, por via das dúvidas.



O Amor

Professor se encontrou com um grupo de jovens que falava contra o  casamento. Argumentavam que o que mantém um casal é o romantismo e  que é preferível  acabar com a relação quando este se apaga, em vez de se  submeter à triste monotonia do matrimônio.

O mestre disse que respeitava sua opinião mas lhes contou a seguinte  história:

Meus pais viveram 55 anos casados. Numa manhã minha mãe descia as  escadas para preparar o café e sofreu um enfarte. Meu pai  correu até ela,  levantou-a como pôde e quase se arrastando a levou até à caminhonete.

Dirigiu a toda velocidade até o hospital, mas quando chegou, infelizmente  ela já estava morta. Durante o velório, meu pai não falou. Ficava o tempo todo olhando para o  nada. Quase não chorou. Eu e meus irmãos tentamos, em vão, quebrar a
nostalgia recordando momentos engraçados.

Na hora do sepultamento, papai, já mais calmo, passou a mão sobre o  caixão e falou com sentida emoção:

— Meus filhos, foram 55 bons anos... Ninguém pode falar do amor verdadeiro se não tem idéia do que é  compartilhar a vida com alguém por tanto tempo.

Fez uma pausa, enxugou as lágrimas e continuou:
— Ela e eu estivemos juntos em muitas crises. Mudei de emprego,  renovamos toda a mobília quando vendemos a casa e mudamos de cidade.  Compartilhamos a alegria de ver nossos filhos concluírem a faculdade,  choramos um ao lado do outro quando entes queridos partiam. Oramos  juntos na sala de espera de alguns hospitais, nos apoiamos na hora da dor,  trocamos abraços em cada Natal, e perdoamos nossos erros... Filhos, agora ela se foi e estou contente. E vocês sabem por que?

Porque ela se foi antes de mim e não teve que viver a agonia e a dor de me  enterrar, de ficar só depois da minha partida. Sou eu que vou passar por  essa situação, e agradeço a Deus por isso. Eu a amo tanto que não gostaria que sofresse assim... Quando meu pai terminou de falar, meus irmãos e eu estávamos com os  rostos cobertos de lágrimas. Nós o abraçamos e ele nos consolava,  dizendo: "Está tudo bem, meus filhos, podemos ir para casa.

E, por fim, o professor concluiu: Naquele dia entendi o que é o verdadeiro  amor. Está muito além do romantismo, e não tem muito a ver com o  erotismo, mas se vincula ao trabalho e ao cuidado a que se professam  duas pessoas realmente comprometidas.

Quando o mestre terminou de falar, os jovens universitários não puderam  argumentar. Pois esse tipo de amor era algo que não conheciam. O  verdadeiro amor se revela nos pequenos gestos, dia-a-dia e por todos os  dias. O verdadeiro amor não é egoísta, não é presunçoso, nem alimenta o  desejo de posse sobre a pessoa amada.

Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai  acompanhado com certeza chegará mais longe...

Bom dia!!

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