Uma nota uma palavra
- Papai posso tocar uma canção para você? Disse a criança.
- Claro, meu amor, seu pai respondeu.
A criança sentou-se ao piano, cuidadosamente colocou seus dedos sobre as teclas e tocou uma nota. Virou a cabeça em direção a seu pai e sorria enquanto esperava por sua aprovação. Ele não disse uma palavra.
- Papai, você não gostou de minha canção? Ela perguntou.
- Então era isso? Isso não foi uma canção. Foi apenas uma nota. Uma canção tem muitas notas! Ele lhe respondeu.
A criança então voltou em direção ao piano e lentamente tocou a mesma nota repetidas vezes. Parou e olhou para ele esperando que agora tivesse agradado.
- Uma canção é composta de muitas notas, não uma só tocada umas cem vezes.
Aborrecida com a resposta, ela desceu do banco e foi embora.
Percebendo que fora insensível em sua resposta, ele a seguiu até o quarto.
Ela estava sentada na cama, cabeça baixa e choramingando.
- O que há de errado? Ele perguntou. - Sinto muito. Mas uma nota não faz uma canção.
- Mas vovó disse que minha vida é uma canção.
- Ela está certa. Sua vida é uma linda canção. Seu pai garantiu.
Olhando para ele, ainda com lágrimas nos olhos, ela disse,
- Mas eu sou apenas uma nota.
Eu conheço este sentimento. Eu conheço a dor de sentir-se tão singularmente insignificante. Mas descobri algo importante... uma nota é uma canção.
Visitei uma loja de instrumentos musicais. Tinham um xilofone. Ignorei o cartaz que dizia: "Não toque! O vendedor lhe ajudará". Segurei o martelete em minha mão e golpeei apenas uma nota pensando que seria breve e seria desprezada. Mas ela ressonou pelo que me pareceu uma eternidade. Suficientemente longo para que o vendedor ouvisse e se aproximasse.
- Sabe tocar? Ele perguntou.
- Não, nunca aprendi. Respondi.
- Obviamente você nunca aprendeu a ler cartazes também. Disse gentilmente e rindo.
- Eu gostaria de tocar mas só sei uma nota. Lhe contei.
- Para um compositor, cada canção começa com uma nota. Para você, aquela nota é sua canção. Ele disse.
Meu amigo, você é uma canção de Deus na sinfonia da vida. Tocada repetidamente, quem você é e o som que você faz na peça inspirada por Deus, ressona eternamente.
Você é uma palavra, também
O Amor nunca se perde
Ele era um adolescente que acabara de ser dispensado pela namorada.
Durante três anos, eles tinham compartilhado amigos e lugares favoritos.
Agora, no último ano do segundo grau ele estava só. Ela conhecera, durante as férias, um outro garoto pelo qual se apaixonara.
Mike se sentia como a última das criaturas na face da terra. No treino de futebol, ele deixou escapar alguns passes e, pela primeira vez, sofreu várias faltas. Mal acabou o treino, lhe disseram que deveria comparecer ao escritório do treinador.
- E então, filho? Garota, família ou escola, qual dessas coisas está lhe incomodando?
- Garota, - foi a resposta de Mike - como o senhor adivinhou?
- Mike, sou treinador de futebol desde antes de você nascer e todas as vezes que vejo um craque jogar como um novato do time reserva, o motivo é um desses três.
Mike lhe falou que estava com muita raiva. Havia confiado na menina, dera a ela tudo o que tinha para dar e o que é que ganhou com isso?
- Boa pergunta. Disse o treinador. - O que foi que você ganhou com isso?
Tomou de várias folhas de papel e pediu a Mike que pensasse sobre o tempo que passou ao lado da moça. Que listasse todas as experiências boas e ruins que conseguisse lembrar. E saiu, dizendo que voltaria dentro de uma hora.
Mike começou a lembrar. Recordou do dia que a convidou para sair pela primeira vez e ela aceitou. Se não fosse pelo incentivo dela, ele jamais teria tentado uma vaga no time de futebol. Pensou nas brigas que tiveram. Não lembrou todos os motivos pelos quais brigavam, mas lembrou-se de como se sentia feliz quando conseguiam conversar e resolver os problemas.
Foi assim que ele aprendeu a se comunicar e a buscar acordos. Lembrou-se também de quando faziam as pazes. Era sempre a melhor parte. Lembrou-se de todas as vezes que ela o fez sentir-se forte, necessário e especial.
Encheu o papel com a história dos dois, das férias, das viagens feitas com a família, bailes da escola e tranqüilos piqueniques a dois.
E, na medida em que as folhas iam ficando escritas, ele se deu conta do quanto ela o ajudara a crescer e a se conhecer melhor.
Ele teria sido uma pessoa diferente sem ela.
Quando uma hora mais tarde, o treinador retornou, Mike se fora. Deixou um bilhete sobre a mesa que dizia apenas:
"Treinador, obrigado pela lição. Acho que é verdade quando dizem que é melhor amar e perder do que jamais ter amado. A gente se vê no treino".
O caminho mais curto
Zé era uma dessas pessoas que vivia fugindo das dificuldades. Sempre procurou o caminho mais curto e cômodo. Era mestre em atalhos. Nem sempre suas soluções eram as melhores. Mas sempre estavam de acordo com os seus próprios interesses. Sofrimento era uma palavra que simplesmente não existia no dicionário do Zé.
Tudo o que pudesse provocar algum tipo de desconforto era imediatamente colocado em segundo lugar. Coisas como: solidariedade, amor, humildade, perdão...
Um dia Zé morreu...
Ao chegar no Céu encontrou São Pedro em frente a uma grande porta com uma imensa cruz de mais ou menos cinco metros. Zé saudou o Santo com a intimidade de um velho conhecido, do jeito que fazia com os amigos nos bares da vida, quando queria pedir algum favor.
Depois, então, Zé lhe perguntou:
- Qual o caminho mais curto para o céu?
São Pedro respondeu:
- Seja Bem-vindo, Zé! A porta é por aqui mesmo... Entre!
Zé entrou e viu uma longa escada, bastante estreita e pedregosa. E perguntou imediatamente, como fazia nos velhos tempos:
- Não tem um caminho mais curto?
São Pedro respondeu com ternura e autoridade:
- Não, Zé. O caminho é esse mesmo. Todos os que entram no céu passam por aqui. E tem mais. Você deverá levar esta Cruz até lá. São apenas cinco quilômetros de caminhada.
O Zé olhou para a Cruz e pensou com seus botões:
- Vou dar um jeitinho.
Agradeceu e saiu com sua Cruz em direção ao Paraíso. Caminhou um quilômetro sem dificuldades. Foi então que viu um serrote esquecido no chão. Olhou ao redor, não viu ninguém e não resistindo a tentação, cortou um metro da Cruz. Continuou o seu caminho mas levou junto o serrote. Mais um quilômetro, mais um metro cortado. Mais um quilômetro... cortou outro metro.
Quando faltava apenas cem metros para chegar no Céu só havia mais um metro da Cruz. E lá ia o Zé carregando a cruz sem dificuldade, como sempre fez durante toda sua vida.
Foi então que aconteceu o inesperado. Para chegar até o Céu, seria necessário atravessar um precipício. A distância até a outra margem era de cinco metros. Zé podia ver apenas um fogo intenso no fundo do precipício. Faltou coragem... ele não seria capaz de saltar tão longe.
Desanimado, sentou. Lembrou então a oração do Anjo da Guarda que aprendera com sua avó. Começou a rezar ... e logo seu Anjo da Guarda apareceu e perguntou:
- Ei Zé... o que você está esperando? A festa lá no Céu está uma maravilha! Você não está escutando a música e as danças? Porque você está aqui sentado?
Zé respondeu:
- Cheguei até aqui, mas tenho medo de pular este precipício.
O Anjo, então, exclamou:
- Ora Zé, use a ponte!
- Que ponte? Perguntou o Zé.
E o Anjo respondeu:
- Aquela que São Pedro lhe deu lá na entrada! Onde está a sua ponte, Zé?
E Zé, compreendendo o seu grande erro, respondeu tristemente ao Anjo:
- Eu cortei!
Os caminhos mais curtos sempre nos levam a algum lugar, mas nem sempre nos ajudam a alcançar os nossos objetivos.
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