A Mão...
A mãe pediu aos seus filhos que desenhassem alguma coisa que desejassem receber de presente. Antes de os desenhos serem entregues, ela já tinha certeza do que iria receber: carrinhos elétricos, patinetes, bonecas...
E aconteceu como o previsto.
Entretanto no meio de tantos desenhos, ela encontrou um que era diferente de todos os demais.
- Quem fez isso?
O filho caçula levantou o braço.
- Mas isso é apenas o contorno de uma simples mão!
O menino não respondeu nada.
A mãe aproveitou a ocasião para perguntar aos outros filhos como eles interpretavam aquele desenho
- Acho que é a mão de Deus nos dando comida - disse um deles.
- Um fabricante de brinquedos -- disse outro - Porque tem muitas encomendas de Papai Noel nesta época do ano.
Finalmente, depois de uma séries de respostas, ela se aproximou do menino e perguntou de quem era a mão que desenhara.
- É a sua.
Ela então se lembrou de quantas vezes tinha levado o menino pela mão. Embora fizesse o mesmo com as outras crianças, talvez aquilo significasse muito para ele.
- Nunca tinha pensado que minha mão fosse tão importante - comentou, meio sem graça.
- Por favor faça com que ela continue trabalhando também durante o próximo ano - respondeu o menino, também meio sem jeito. - Eu preciso dela. Quero ter o mesmo presente no Natal do ano que vem.
Os semeadores
A Barata na sopa
Damião é um humilde lavrador, proprietário de um diminuto quinhão de terra. Quando os primeiros fulgores da aurora rompem o espaço, diluindo as derradeiras sombras da noite, ele já está de pé, aguardando apenas que a luz do sol abra de uma vez as portas do novo dia, para que ele possa dar continuidade ao sagrado mister de lavrar a terra.
Dias antes a terra foi arada, depois uma chuva macia caiu como uma dádiva para umedecer o solo ressequido. Agora era só plantar, lançando a semente sobre o campo, para que a natureza, com seus dons prodigiosos, ajudasse como por encanto fazer crescer as plantas e produzir a valiosa messe.
De todo o mantimento que viesse a ser colhido, apenas uma ínfima parte seria destinada e consumida pela família de Damião. Por isso, ele não semeava somente para si, plantava também para que o próximo pudesse comprar o seu alimento. Esse é o valor de quem semeia, não só a terra franca e boa, mas todas as coisas virtuosas do mundo.
À tarde, quando o sol declina no horizonte e cerra as cortinas de mais um dia que passa, Damião retorna cansado ao lar para o justo repouso, levando no peito a satisfação e a ventura dos que edificam as boas coisas, a esperança de conseguir a colheita compensadora que a terra fértil lhe dará em breve.
Assim são os bons semeadores!
A cada semeadura realizada, quer na terra produtiva do campo imenso ou no campo da inteligência e do coração dos homens - onde se pode semear a palavra do amor, da paz que edifica, da fé que fortalece, da ciência que esclarece a mente - deixam eles sempre as boas sementes germinando para o bem da comunidade e, dentro da sua alma, uma grandiosa expectativa também cresce no sonho alentador de ver concretizada a sua obra, porque para os semeadores, ver germinar as sementes que lançaram já é sentir o sabor da felicidade.
D. Josefina era uma senhora cega, muito estimada nos arredores de Pedro Leopoldo, e tinha uma verdadeira adoração pelo Chico Xavier.
Seu desejo maior era o de que seu conterrâneo, um dia, jantasse com ela.
Tanto pediu, que o filho de D. Maria, João de Deus, a atendeu. Foi marcado o dia e o Chico compareceu.
A mesa estava posta. Numa ponta, sentou-se o convidado de honra, na outra, sua admiradora e, nos lados, duas amigas, conhecidas de ambos.
Por ser pobre, D. Josefina apenas fez uma sopa substanciosa. No prato fundo, diante de cada convidado, achava-se a sopa, contendo ingredientes apetitosos.
O Médium, emocionado com o tratamento afetuoso, devagar, dando atenção à palavra da dona da casa, foi tomando a sopa, quando de repente, dá com uma barata preta no meio do prato... Afasta-a para o lado, no momento em que D. Josefina lhe pergunta:
- Então, Chico, está gostando da minha sopa? Olhe que a fiz com cuidado e carinho em sua homenagem.
- Está ótima minha irmã. Sou-lhe grato pela sua bondade. Não mereço tanto, respondeu-lhe o Médium, e, para que ninguém observasse seu achado, foi conversando e tomando a sopa...
D. Josefina ria de contente. O humilde homenageado sentia-se contrafeito. Mas, diante da alegria da irmã querida, que se sentia tão honrada com sua presença, esqueceu-se da barata e começou a conversar, animadamente, contar casos e a comer...
No fim, quando todos acabaram, olhou para o prato: estava vazio. Havia tomado a sopa e a barata também...
Mas concorrera para alegrar o coração de uma velha e sincera admiradora.
Valeu o sacrifício ...
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