domingo, 18 de setembro de 2011


As chuvas dos olhos
“Chove. Na fonte das águas, chove. Na fronte das lágrimas do pretérito calado. Lavando a chuva dos olhos cansados. Chovendo nos mares, nos mares amados.”  Há quanto tempo você não chora? Há quanto tempo seus olhos não são inundados por lágrimas, por estas pequenas gotas que parecem nascer em nosso coração? Há quanto tempo?

Assim como o fenômeno natural da precipitação atmosférica, a chuva, realiza o trabalho de purificar a terra, a água e o ar, também nossas lágrimas têm tal função. A de limpar nosso íntimo, a de externar nossas emoções, sejam elas de alegria ou de pesar. Precisamos aprender a expressar nossos sentimentos.

Nossa cultura possui conceitos arraigados, como o de que “homem não chora”, ou que “é feio chorar”, que surgem em nossas vidas desde quando crianças, na educação familiar, e acabam por internalizarem se em nossa alma, continuando a apresentar manifestações na vida adulta.

Sejamos homens ou mulheres na Terra, saibamos que todos rumamos para a busca da sensibilidade, do auto descobrimento, e da expressão de nossos sentimentos. Tudo que deixarmos guardado virá à tona, cedo ou tarde.

Se forem bons os sentimentos contidos, estaremos perdendo uma oportunidade valiosa de trazê-los ao mundo, melhorando nossas relações com o próximo e conosco mesmo. Se forem sentimentos desequilibrados, estaremos perdendo a chance de encará-los, de analisá-los, e de tomar providências para que possam ser erradicados de nosso interior.

As barreiras que nos impedem de nos emocionar, de chorar, são muitas vezes as mesmas que nos fazem pessoas fechadas e retraídas. Barreiras que carecemos romper, para que nossos dias possam ser mais leves, mais limpos, como a atmosfera que recebe a água da chuva, e nela encontra sua purificação.

As chuvas dos olhos fazem um bem muito grande. Desabafar, colocar para fora o que angustia nosso íntimo, ou o que lhe dá alegria, é um exercício precioso. Um hábito salutar. Dizer a alguém o quanto o amamos, quando este sentimento surgir em nosso coração – mesmo sem um motivo especial -, será sempre uma forma de fortalecimento de laços.

De construção de uma união mais feliz, e principalmente, um recurso para elevarmos nossa auto-estima, nosso auto-amor.

Avós são o máximo
Perguntaram a uma menina de nove anos o que ela gostaria de ser quando crescesse. Ela respondeu:
- Eu gostaria de ser avó!
Ao ser interrogada sobre o porquê dessa idéia, ela completou:

-  Porque os avós escutam, compreendem.
E, além do mais, a família se reúne inteirinha na casa deles...

E a menina continuou:
- Uma avó é uma mulher velhinha que não tem filhos.
Ela gosta dos filhos dos outros.

Um avô leva os meninos para passear e conversa com eles sobre pescaria e outros assuntos parecidos.
Os avós não fazem nada, e por isso podem ficar mais tempo com a gente. Como eles são velhinhos,
não conseguem rolar pelo chão ou correr. Mas não faz mal.

Nos levam ao shopping e nos deixam olhar as vitrines até cansar. Na casa deles tem sempre um vidro
com balas e uma lata cheia de suspiros. Eles contam histórias de nosso pai ou nossa mãe quando eram pequenos,
histórias de uns livros bem velhos com umas figuras  lindas.

Passeiam conosco mostrando as flores, ensinando seus nomes, fazendo-nos sentir seu perfume. Avós nunca dizem "depressa, já pra cama“ ou "se não fizer logo vai ficar de castigo". Quase todos usam óculos e eu já vi uns tirando os dentes e as gengivas.

Quando a gente faz uma pergunta, os avós não dizem: "menino, não vê que estou ocupado?“ Eles param, pensam e respondem de um jeito que a gente entende.

Os avós sabem um bocado de coisas. Eles não falam com a gente como se nós fôssemos bobos. Nem se referem a nós com expressões tipo "que gracinha!", como fazem algumas visitas.

O colo dos avós é quente e fofinho, bom de a gente sentar quando está triste.Todo mundo deveria tentar
ter um avô ou uma avó, porque são os únicos adultos que têm tempo para nós.

As asas do espírito
Da mesma forma como o deserto necessita de chuva...Da mesma forma como uma criança necessita de um nome...Da mesma forma como as rosas necessitam de água...o espírito humano necessita de cuidado e atenção.

Esta existência terrena é a infância da Eternidade. Esta existência terrena, tal como a infância, é um período de deleite, e também de aprendizado. Somos aprendizes neste mundo inferior, e a nossa lição pode ser resumida em três palavras: Purificar o coração.

O que é efêmero, e o que é Real? Que coisas têm verdadeiro valor? Sons e cores do mundo distraem os sentidos, e muitas vezes ofuscam aquilo que é Essencial... Essencial é a ascendência, essencial é o aprimoramento interior... Essencial é examinarmos o nosso coração, todas as noites, para verificar se tivemos lucros ou perdas no nosso capital espiritual.

Essencial é lembrarmos que a nossa passagem por aqui é finita, e que em breve seremos chamados a partir...O nosso corpo físico assemelha-se a uma gaiola, e a nossa alma, a uma ave. Chega o dia em que a Mãe Amorosa abre a porta da gaiola e diz para a ave do espírito:“É chegada a tua hora, Voa..."

O que fará nesta hora a alma, recém-liberta da gaiola do corpo, conseguirá ela voar...? No dia em que a gaiola do nosso corpo fenecer, estaremos aptos a voar com as asas do nosso espírito? Devemos aproveitar os nossos dias, enquanto habitantes deste mundo inferior...para fortalecermos as asas do espírito, de modo que possamos, na hora da morte, alçar vôo... ...rumo aos Reinos Eternos, rumo às Cidades Imortais.

As asas do espírito constituem-se das virtudes que cultivamos...“...Vive, pois, os dias de tua vida, os quais são menos de um momento fugaz, mantendo sem mancha a tua mente, imaculado teu coração, puros teus pensamentos e santificada tua natureza...

...de modo que, livre e contente, possas abandonar essa forma mortal, recolher-te ao paraíso místico e habitar, para todo o sempre, no reino eterno.”

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